A Nossa História

Breve memória de uma longa caminhada

A Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto foi fundada no dia 13 de outubro de 1882. Instituição aberta à sociedade, solidária. Desde sempre desaprovou a cómoda visão paroquial, bairrista, para abarcar a prodigiosa diversidade do mundo. Os primeiros estatutos, coligidos por Sampaio Bruno no ano de 1885, realçam a defesa da liberdade de expressão, a representação condigna da classe, o socorro e proteção aos associados. Mais de um século depois, como se o nosso ofício fosse o de carregar água com a peneira, nada ainda está garantido: a matriz permanece inalterável, a firmeza de um dia chegarmos com a peneira cheia de água também.

Somos mais de quatro centenas de escritores, jornalistas, atores, artistas plásticos, personalidades ligadas à ciência – de Portugal, de outras partes da lusofonia, da Galiza. Em Junho de 1901, dezasseis anos depois da abertura, entre os membros da Associação aparece a primeira mulher: Clorinda de Macedo, professora e poetisa.

Intensa atividade cultural marca o longo caminho: por aqui andaram e repartiram a palavra centenas de intelectuais: como Érico Veríssimo, Leonardo Coimbra, Alberto Moravia, Umberto Eco, Teixeira de Pascoaes, Eugénio de Andrade, Bernardo Santareno, Luísa Dacosta, José Saramago, X. L.Méndez Ferrín, Lawrence Ferlinghetti ou Daniel Faria. Óscar Lopes, durante anos membro do Conselho Literário, foi na década de sessenta, do século passado, um dos responsáveis da programação de vanguarda desta casa que nem sempre o Porto soube respeitar.

Empresa imaginativa e persistente, com Loureiro Dias à frente de um restrito grupo de associados, foi a construção da sede. O Presidente da República Bernardino Machado lançou a primeira pedra; anos depois, por volta de 1930, a pedra fez-se casa da palavra não cativa, no coração da cidade. Um ano volvido, por iniciativa de Leonardo Coimbra, a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto propunha Teixeira de Pascoaes a candidato português ao Prémio Nobel da Literatura. Mais tarde, em períodos diferentes, indicava à Academia Sueca os nomes de Aquilino Ribeiro, Miguel Torga e, por fim, Agustina Bessa-Luís.

A AJHLP dispõe de biblioteca com cerca de 30 mil títulos e arquivo de manuscritos, fotografias e outros documentos de importância cultural de relevo. Dispõe ainda, e talvez seja essa a sua maior riqueza, de imensa capacidade de regeneração: de ser memória múltipla e desfechar as grandes alamedas do devir.